Monografia

Mestres

Mestres (33)

Aos 80 anos, Mestre Ananias é a síntese da herança africana do povo brasileiro. Vive a Capoeira, o Samba e o Candomblé sem dissociá-los, esclarecendo no seu comportamento questões sobre a ancestralidade do nosso povo.

Nascido no ano de 1924, em São Félix, região do Recôncavo Baiano cuja fertilidade cultural merece estudo aprofundado.

Absorve o contexto no qual está imerso e na metade do século XX vem para São Paulo a convite de produtores do teatro paulistano.

Trabalha com Plínio Marcos, Solano Trindade e outras personalidades, em todos os teatros da cidade.

Em 1953, ano de sua chegada, Mestre Ananias funda a roda de capoeira mais tradicional de São Paulo, a Roda da Praça da República.

Essa ganha força com a chegada de seus conterrâneos e nesse ínterim a capoeira exerce de fato um dos seus principais fundamentos, integrar à sociedade, classes desfavorecidas frente às imposições e preconceitos raciais e sociais.

Rafael Alves França, mandingueiro respeitadíssimo no seu percurso por este mundo de meu Deus.

Nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA).

Com 4 anos de idade iniciou-se na Capoeira pelas mãos de Besouro, seu primo carnal. Além de seu primeiro mestre, Cobrinha Verde também bebeu da sabedoria de Maitá, Licurí, Joité, Dendê, Gasolina, Siri de Mangue, Doze Homens, Espiridião, Juvêncio Grosso, Espinho Remoso, Neco, Canário Pardo e Tonha. Foi 3° Sargento no antigo Quartel do CR em Campo Grande, tendo participado também da Revolução de 32 entre outras pelejas.

Durante muitos anos ensinou em seu Centro Esportivo de Capoeira Angola Dois de Julho, com sede no Alto de Santa Cruz, s/ n°, no Nordeste de Amaralina.

Washington Bruno da Silva, Mestre Canjiquinha nasceu em 25 / 11 / 1925 e viveu até 08 / 11 / 1994, filho de José Bruno da Silva um grande alfaiate e de Amália Maria da Conceição uma lavadeira.

Nascido no Maciel de baixo n°06 (em cima do armazém de Nicanor) localizado nas imediações do Pelourinho. Seu apelido foi dado por amigo devido a um samba de Roberto Martins o qual era a única coisa que sabia cantar, Canjiquinha Quente era o nome da música.

Seu primeiro contato com a capoeira foi num local conhecido como banheiro de seu Otaviano na frente de uma quitanda no Matatu Pequeno, Brotas na Baixa do Tubo. Num dia de domingo em 1935 um cidadão chamado Antonio Raimundo (Mestre Aberre) convidou Canjiquinha a participar da brincadeira que ali rolava, e a partir da agilidade demonstrada por Canjiquinha mestre Aberre decidiu-o treinar. Passou 8 anos aprendendo, quando seu mestre disse: - Meu filho você corre este lugar aí, o que você ver de bom você pega e de ruim você deixa pra lá.

Neste lugar encontrei homens como: Onça Preta, Rosendo, Chico Três Pedaços, Zé de Brotas, Silva Boi, Dudu, Maré e outros.

Neste meio tempo foi sapateiro, carregador de marmita, tirava carga na feira com jegue, foi goleiro do Ypiranga esporte clube, mecanógrafo, e também apresentador de shows folclóricos.

Na opinião de Mestre Canjiquinha a capoeira não existe divisão entre angola e regional, ele dizia que ele era capoeira e obedecia ao toque, se tocar maneiro jogo amarrado, se tocar apressado você apressa.

Mestre Canjiquinha dono de um repertório inesgotável de músicas e improvisos, tendo uma grande facilidade de comunicação com o publico, acho que devido a essas foi convidado a participar de alguns filmes como: O Pagador de Promessas, Operação Tumulto, Capitães de Areia entre outros, alem de algumas fotonovelas com Silvio César e Leni Lyra. Teve como alunos alguns até renomados a mestre: Antonio Diabo, Burro Inchado, Madame Geni, Victor Careca, Robertão, Manoel Pé de Bode, Paulo dos Anjos, Brasília, Lua Rasta, Cristo Seco entre outros mais.............

“ Capoeira que é bom não cai 
Mas quando cai, cai bem ”

Jaime Martins dos Santos, discípulo de Pastinha nascido em 1939, continua ensinando e difundindo a capoeira angola.

"Capoeira é arte, dança, malícia, filosofia, malandragem, teatro, música coreografia e não violência. Só passa a ser perigosa na hora da dor…"

"Existem muitas partes da mandinga, existem a mandinga da magia negra e a mandinga da malícia do capoeirista, quando ele se diz realmente capoeirista . Mandinga é isso, é sagacidade, é você poder bater no adversário e não bater , você mostra que não bateu porque não quis."

"O aluno é reflexo do mestre e o mestre e reflexo do aluno"

"O aluno não compete com o mestre e o mestre que se respeita não compete com o aluno"

"Para mostrar que é bom o capoeirista não precisa bater"

"Morro e dou a minha alma pela capoeira"

"Meu pai sempre me ensinou que a gente não deve ensinar tudo o que sabe, porque senão, os alunos vão embora"

"Capoeirista é calmo. Divagar para o angoleiro ainda é pressa. Eu só tive pressa para nascer pois sou de sete meses."

"Tem pessoas que são grandonas, fortes, fazem três anos de capoeira e já se autodenominam mestres. Para alguns deles o avião é o que os forma como mestres, quando chegam a outro país dizem eu sou mestre e como ninguém lhes conhece, acreditam neles. Essas pessoas lesam a consciência da gente."

"Eu tenho 56 anos de capoeira e ainda não sei nada; meu pai tem 102 anos e ainda diz que não sabe. Tem "doutores" que tem 5 anos de capoeira e falam que já conhecem "as duas"."

Segundo Mestre Lua, Milton Santos, o Mestre Bobó, nasceu em Salvador em 25 de março de 1925.

Iniciou-se na capoeira desde menino através de um negro chamado Benedito, carroceiro.

Fundou a Academia de Capoeira Angola Cinco Estrelas no ano de 1962. Após o afastamento do Mestre Pastinha do “19”’, no Pelourinho, o M. Pastinha, doente e praticamente sem visão, precisava de alguém para tocar a capoeira no novo espaço do “51”, também no Pelô.

Assim, José Luiz convidou Mestre Bobó, que para lá foi, dando seguimento ao trabalho por um bom tempo.

Ensinou a capoeira no Dique do Tororó por mais de 50 anos tendo formado grandes capoeiristas como Mestre Moa do Katendê e Mestre Lua de Bobó, os dois primeiros mestres formados.

Em 1985, o Mestre vai aos Estados Unidos passando por Los Angeles e em Nova York, para participar de um festival. Seu estilo ao jogar fez e vai continuar a fazer muitos olhos e corações, nos raros momentos em que podemos ver um vídeo com imagens do Mestre, se sentirem vivos e evocados.

Participou das escolas de samba (Diplomata de Amaralina, Apache Tororó e Juventude Garcia) e blocos carnavalescos, mostrando grande talento. No início da década de noventa, após passar um período doente, Mestre Bobó falece na cidade de Salvador, aos 65 anos.

Nossa humilde homenagem ao “saudoso” Mestre Bobó, sonhando sempre com a grande roda que um dia realizaremos juntos.

Fonte: www.meninodearembepe.org

José Luiz Oliveira, ou simplesmente Bola Sete, era apenas um garoto quando teve seu primeiro contato com essa arte secular. Atualmente trabalhando no Setor de Transporte, na Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, Luiz descobriu sua dedicação pela capoeira em 1968, ao conhecer um marinheiro, conhecido pelo apelido de Pessoa. "Ele era um capoeirista tradicional, que começou me ensinado num porão de um edifício, em um lugar pequeno e com pouca iluminação", explica.

Aos 19 anos, Bola Sete, que recebeu esse nome por treinar todo vestido de preto, conheceu o maior nome da Capoeira Angola na Bahia, tornando-se, então, aluno do lendário Mestre Pastinha. "Foram 13 anos ao lado desse grande Mestre", relembra. Em 1980, pouco antes da morte de Pastinha, Bola Sete conseguiu abrir sua primeira academia, dando continuidade ao trabalho do seu mestre.

Conselheiro da Associação Brasileira de Capoeira Angola, Bola Sete diz que os valores tradicionais dessa arte estão sendo esquecidos. "A capoeira praticada hoje não é autêntica, pois é feita apenas para impressionar com seus saltos acrobáticos e agressivos", argumenta. Para Bola Sete, a capoeira com seus movimentos lentos e cadenciados é uma terapia que pode ser praticada em qualquer idade. Seus exercícios fortalecem partes importantes do corpo, como o coração e os pulmões. "

A humildade foi a maior lição que tive nesses 37 anos de Capoeira Angola", diz.